Vulvovaginite: o que é, sintomas e cuidados íntimos
Vulvovaginite: o que é
Vulvovaginite é a inflamação da vulva e da vagina ao mesmo tempo. O nome descreve o que acontece com o tecido, não a causa, e é por isso que ele reúne quadros tão diferentes entre si.
Entendemos o desconforto: coceira, ardor e um corrimento que mudou costumam vir acompanhados de dúvida e, muitas vezes, de constrangimento. Aqui você entende o que é, como o diagnóstico é feito e onde o cuidado cosmético entra.
Um ponto importa desde o início: vulvovaginite não é sinal de falta de higiene. Em vários casos, o excesso de lavagem é parte do problema. A rotina completa de cuidado íntimo parte justamente dessa ideia.
Vulvite, vaginite e vulvovaginite
Vulvite é a inflamação da vulva, a parte externa. Vaginite é a inflamação da vagina, o canal interno. Quando as duas estão envolvidas, fala-se em vulvovaginite, o que é comum porque o corrimento e a inflamação vaginal irritam a pele de fora.
Na vulvite isolada, as causas dermatológicas ganham peso: dermatite de contato, atrito, depilação e condições como o líquen escleroso, que pedem acompanhamento próprio.
Principais causas da vulvovaginite
Quando a causa é identificada, a vaginose bacteriana responde por 40% a 50% dos casos, a candidíase vulvovaginal por 20% a 25% e a tricomoníase por 15% a 20%. As causas não infecciosas somam de 5% a 10% [1].
- Candidíase vulvovaginal. Crescimento excessivo de fungos do gênero Candida, com coceira intensa e corrimento branco e grumoso. A vulvovaginite por cândida tem conteúdo próprio em candidíase.
- Vaginose bacteriana. Desequilíbrio da microbiota, com menos lactobacilos protetores. Corrimento fino, acinzentado e com odor característico. Veja vaginose.
- Tricomoníase. Infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. A parceria também precisa de tratamento [3].
- Vulvovaginite atrófica. Ligada à queda de estrogênio na menopausa, faz parte da síndrome geniturinária da menopausa, que inclui secura, ardor e irritação [5]. Veja ressecamento íntimo.
- Irritativa ou alérgica. Reação a sabonete perfumado, ducha, absorvente, lenço umedecido, amaciante ou tecido sintético.
Vulvovaginite: sintomas mais comuns
- Coceira na vulva ou na entrada da vagina
- Ardor, vermelhidão e inchaço
- Corrimento diferente do habitual em cor, cheiro ou consistência
- Ardência ao urinar
- Desconforto ou dor na relação
Os sinais dão pistas, mas se sobrepõem. Em um estudo com mulheres que compraram antifúngico sem receita achando que tinham candidíase, só 33,7% tinham esse diagnóstico [6]. Se a coceira é a queixa principal, veja também coceira na parte íntima.
Como é feito o diagnóstico
O ginecologista combina conversa, exame da vulva e da vagina e testes simples [1]. O pH vaginal medido com fita ajuda a separar os quadros: acima de 4,5, a suspeita recai sobre vaginose ou tricomoníase; na candidíase, o pH costuma ficar normal [3].
A microscopia da secreção, a cultura e os testes moleculares completam a investigação quando necessário [2][4].
Vulvovaginite: tratamento depende da causa
O tratamento da vulvovaginite é médico e definido depois do diagnóstico. Há antifúngicos para candidíase, antimicrobianos específicos para vaginose e tricomoníase, abordagens hormonais ou não hormonais para a forma atrófica e retirada do agente irritante nas formas de contato [1].
Quando o quadro volta, a orientação é reavaliar o diagnóstico antes de repetir o mesmo esquema [2]. Na página de tratamento para vaginose, mostramos como separar conduta médica de cuidado cosmético.
Onde entra o cuidado cosmético
O cosmético não trata vulvovaginite. Ele atua na rotina, reduzindo gatilhos e apoiando o conforto da pele externa. Durante uma crise, use apenas o que o médico liberar.
- Limpeza externa suave com sabonete íntimo de pH fisiológico, uma a duas vezes ao dia.
- Hidratação da pele externa com sérum íntimo quando há secura, comum na menopausa.
- Nutrição da pele ressecada da virilha e dos grandes lábios com óleo de abacate ozonizado.
Nossas fórmulas com óleo ozonizado são livres de parabenos, petrolatos e fragrâncias sintéticas, veganas e cruelty-free. Nenhuma delas é de uso interno.
Prevenção no dia a dia
Uma dica de especialista: mude um hábito por vez e observe o que era gatilho.
- Lave apenas a parte externa, uma a duas vezes ao dia, com produto suave [7]
- Evite ducha vaginal, sabonetes perfumados e lenços com fragrância
- Prefira calcinha de algodão e troque logo a roupa úmida
- Evite protetor diário de uso contínuo
- Use preservativo, que protege contra infecções sexualmente transmissíveis como a tricomoníase [3]
Para montar a rotina completa, veja higiene íntima.
Quando procurar o ginecologista
Procure avaliação se for a primeira vez com esses sintomas, se o corrimento mudou de cor ou cheiro, se os sintomas voltam com frequência ou não melhoram com o tratamento prescrito. Também procure atendimento em caso de febre, dor pélvica, sangramento fora do período, feridas ou bolhas na região, gestação ou possível exposição a infecção sexualmente transmissível.
Perguntas Frequentes
O que é vulvovaginite?
Vulvovaginite é a inflamação simultânea da vulva, a parte externa da região íntima, e da vagina, o canal interno. Na prática, é um nome guarda-chuva: descreve o que está acontecendo com o tecido, mas não diz por quê. A revisão do American Family Physician define vaginite como qualquer condição com corrimento anormal, odor, irritação, coceira ou ardor, e aponta como causas mais comuns a vaginose bacteriana, a candidíase vulvovaginal e a tricomoníase [1].
Existem ainda causas não infecciosas, como a forma atrófica ligada à queda de estrogênio e as reações irritativas ou alérgicas a produtos e tecidos. Como cada causa tem conduta própria, o diagnóstico é o passo que organiza todo o resto. Vale dizer com clareza: vulvovaginite não é sinal de falta de higiene, e muitas vezes o excesso de lavagem até contribui para o quadro.
Se você tem sintomas, o caminho é a consulta com ginecologista, que examina a região, mede o pH e, se preciso, colhe material para análise. O cuidado cosmético entra depois, como apoio de rotina. Conheça a linha de cuidado íntimo.
Quais são os sintomas de vulvovaginite?
Os sintomas mais comuns são coceira, ardor, vermelhidão e inchaço na vulva, corrimento diferente do habitual e odor alterado. Algumas mulheres sentem ardência ao urinar, porque a urina passa por uma pele já irritada, e desconforto ou dor na relação. O padrão dos sinais dá pistas sobre a causa, mas não fecha diagnóstico. Na candidíase, a coceira costuma ser intensa e o corrimento é branco e grumoso, sem odor forte.
Na vaginose bacteriana, predomina um corrimento fino e acinzentado com odor característico, muitas vezes com pouca coceira. Na tricomoníase, o corrimento pode ser amarelado ou esverdeado, com irritação importante. Na forma atrófica, típica da peri e pós-menopausa, prevalecem secura, ardor e sensibilidade ao atrito. Nas reações irritativas, a vermelhidão e a ardência costumam surgir logo após o contato com um produto novo.
A sobreposição entre os quadros é grande: em um estudo com mulheres que compraram antifúngico achando que tinham candidíase, só 33,7% tinham de fato esse diagnóstico [6]. Por isso, sintomas persistentes pedem avaliação. Se a coceira é a queixa principal, veja também coceira na parte íntima.
O que causa vulvovaginite?
As causas se dividem em infecciosas e não infecciosas. Segundo revisão do American Family Physician, quando a causa é identificada, a vaginose bacteriana responde por 40% a 50% dos casos, a candidíase vulvovaginal por 20% a 25% e a tricomoníase por 15% a 20% [1]. A vaginose é um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução dos lactobacilos protetores.
A candidíase é o crescimento excessivo de fungos do gênero Candida, e a tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível causada por um protozoário [3]. As causas não infecciosas somam de 5% a 10% dos casos e incluem as formas atrófica, irritativa, alérgica e inflamatória [1]. A atrófica está ligada à queda de estrogênio e hoje faz parte do que se chama síndrome geniturinária da menopausa [5].
A irritativa e a alérgica aparecem após contato com sabonetes perfumados, duchas, absorventes, lenços umedecidos, amaciantes ou tecidos sintéticos. Hábitos como excesso de lavagem, roupa úmida por muito tempo e uso contínuo de protetor diário aumentam a vulnerabilidade da região. Para entender cada quadro infeccioso em detalhe, veja candidíase e vaginose.
Qual a diferença entre vulvite, vaginite e vulvovaginite?
A diferença está na região inflamada. Vulvite é a inflamação da vulva, a parte externa, que inclui grandes e pequenos lábios, clitóris e a entrada da vagina. Vaginite é a inflamação da vagina, o canal interno. Vulvovaginite é quando as duas áreas estão envolvidas ao mesmo tempo, o que é bastante comum, porque o corrimento e a inflamação vaginal irritam a pele de fora.
Por isso os termos aparecem juntos com frequência, e revisões médicas tratam o tema como um conjunto de condições que inclui vaginose bacteriana, candidíase, tricomoníase, vaginite inflamatória descamativa e síndrome geniturinária da menopausa [8]. A vulvite isolada costuma ter causas mais dermatológicas: dermatite de contato por produto ou tecido, atrito, depilação e condições como o líquen escleroso, que pedem acompanhamento próprio. Já a vaginite costuma vir com corrimento alterado. Saber onde exatamente está o desconforto ajuda a conversa com o ginecologista, mas não substitui o exame, porque a percepção nem sempre é precisa e os quadros se sobrepõem com frequência.
Como é feito o diagnóstico da vulvovaginite?
O diagnóstico combina conversa, exame físico e testes feitos no consultório ou em laboratório [1]. O ginecologista pergunta sobre o tipo de corrimento, odor, coceira, relação com o ciclo, produtos usados na região, uso recente de antibióticos e vida sexual. No exame, observa a vulva e as paredes da vagina e colhe uma amostra da secreção.
Um dos testes mais úteis é a medida do pH vaginal com fita: valores acima de 4,5 favorecem vaginose bacteriana ou tricomoníase, enquanto na candidíase o pH costuma permanecer normal [3]. A microscopia da secreção permite ver fungos, células características da vaginose ou o próprio protozoário da tricomoníase. Para a candidíase, a cultura segue como padrão de referência, e os testes moleculares mais novos têm bom desempenho [4].
Para a tricomoníase, o CDC recomenda testes de amplificação de ácido nucleico em mulheres com sintomas [1]. Revisão recente aponta que os testes moleculares tendem a superar a microscopia de consultório na maioria dos casos [2]. Esse cuidado técnico é o que evita tratar a causa errada e prolongar o desconforto.
Como é o tratamento da vulvovaginite?
O tratamento da vulvovaginite depende da causa e é sempre definido pelo médico, depois do diagnóstico. Não existe um único produto que sirva para todos os casos, justamente porque o termo reúne condições diferentes. A candidíase é tratada com antifúngicos, a vaginose bacteriana e a tricomoníase com antimicrobianos específicos, e na tricomoníase a parceria sexual também precisa ser tratada [1][3]. A forma atrófica tem abordagens hormonais e não hormonais, e as formas irritativas pedem, antes de tudo, a retirada do agente que causou a reação [1].
Usar por conta própria um medicamento sem receita pode atrasar o diagnóstico: entre mulheres que compraram antifúngico achando que tinham candidíase, a maioria tinha outro diagnóstico ou nenhum [6]. Quando os sintomas voltam, a recomendação é reavaliar o diagnóstico e considerar outras causas [2]. E onde entra o cuidado cosmético?
Como complemento, nunca como substituto: limpeza externa suave com pH compatível, hidratação da pele externa quando há secura, roupas de algodão e menos atrito. Cosméticos não tratam infecção. Para ver essa separação aplicada a outro quadro, leia sobre tratamento para vaginose.
Vulvovaginite é transmissível e pode voltar?
Depende da causa. A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível, e por isso as diretrizes do CDC orientam tratar também a parceria e evitar relações até o fim do tratamento e a melhora dos sintomas [3]. A candidíase e a vaginose bacteriana não são classificadas como infecções sexualmente transmissíveis no sentido clássico, embora a atividade sexual possa influenciar o equilíbrio da microbiota.
As formas atrófica e irritativa não se transmitem. Quanto à recorrência, a vulvovaginite pode voltar, principalmente quando a causa de base persiste. Candidíase e vaginose recorrentes são desafios conhecidos, e as diretrizes preveem esquemas mais longos, definidos pelo médico [2].
Quando o quadro se repete, vale revisar hábitos que favorecem o desequilíbrio: excesso de lavagem, ducha vaginal, sabonetes perfumados, roupa úmida por longos períodos e protetor diário de uso contínuo. Também vale checar se o diagnóstico inicial estava correto, porque tratar a causa errada é uma das razões mais comuns de o sintoma não passar [2][6]. Para quem convive com episódios de repetição por fungos, o conteúdo de candidíase traz orientações de rotina.
Como prevenir a vulvovaginite no dia a dia?
Nem toda vulvovaginite pode ser prevenida, mas alguns hábitos reduzem os gatilhos mais comuns. O primeiro é limpar apenas a parte externa, uma a duas vezes ao dia, com produto suave e de pH compatível com a região; revisão sobre higiene íntima reúne diretrizes internacionais que apoiam a limpeza diária e delicada da vulva, sem prejudicar a microbiota natural [7]. O segundo é evitar ducha vaginal, sabonetes perfumados e lenços com fragrância, que podem irritar a pele e alterar o equilíbrio. O terceiro é preferir calcinha de algodão, trocar logo a roupa úmida depois do treino ou da piscina e evitar peças muito justas por muitas horas.
Na peri e pós-menopausa, hidratar a pele externa ajuda no conforto quando há secura. Na nossa linha, o sabonete íntimo cuida da limpeza externa, e o sérum íntimo e o óleo de abacate ozonizado entram na hidratação da pele externa, com fórmulas livres de parabenos, petrolatos e fragrâncias sintéticas. Durante uma crise, siga a orientação médica antes de usar qualquer cosmético na região.
Referências
- Paladine HL, Desai UA. Vaginitis: Diagnosis and Treatment. Am Fam Physician. 2018;97(5):321-329. PMID: 29671516
- Mitchell CM. Assessment and Treatment of Vaginitis. Obstet Gynecol. 2024;144(6):765-781. PMID: 38991218
- Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187. PMID: 34292926
- Nyirjesy P, Brookhart C, Lazenby G et al. Vulvovaginal Candidiasis: A Review of the Evidence for the 2021 Centers for Disease Control and Prevention of Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines. Clin Infect Dis. 2022;74(Suppl_2):S162-S168. PMID: 35416967
- Portman DJ, Gass ML. Genitourinary syndrome of menopause: new terminology for vulvovaginal atrophy from the International Society for the Study of Women's Sexual Health and the North American Menopause Society. Maturitas. 2014;79(3):349-54. PMID: 25179577
- Ferris DG, Nyirjesy P, Sobel JD et al. Over-the-counter antifungal drug misuse associated with patient-diagnosed vulvovaginal candidiasis. Obstet Gynecol. 2002;99(3):419-25. PMID: 11864668
- Chen Y, Bruning E, Rubino J et al. Role of female intimate hygiene in vulvovaginal health: Global hygiene practices and product usage. Womens Health (Lond). 2017;13(3):58-67. PMID: 28934912
- Marnach ML, Wygant JN, Casey PM. Evaluation and Management of Vaginitis. Mayo Clin Proc. 2022;97(2):347-358. PMID: 35120697 Conteúdo informativo, sem finalidade de diagnóstico ou tratamento. Consulte um profissional de saúde.