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Mau cheiro nas partes íntimas: o que pode causar e como cuidar

Mau cheiro nas partes íntimas: o que o odor está dizendo

Sentir mau cheiro nas partes íntimas é uma queixa comum, e quase sempre vem acompanhada de constrangimento. Antes de tudo, vale saber que a região tem odor próprio, que muda ao longo do mês e não significa falta de limpeza. O que pede atenção é a mudança de padrão, e é ela que ajuda a entender o que pode causar mau cheiro nas partes íntimas.

Se o incômodo principal é coceira, veja nosso conteúdo sobre coceira na parte íntima. Esta página faz parte da nossa linha de cuidado íntimo.

Odor íntimo normal e odor alterado: como diferenciar

O odor vaginal normal é discreto e levemente ácido. Ele varia com a fase do ciclo, a transpiração, a atividade física e a relação sexual. Essa acidez vem dos lactobacilos, bactérias que produzem ácido lático e mantêm o pH vaginal baixo.

Em estudo com 396 mulheres sem sintomas, quatro dos cinco tipos de comunidade bacteriana vaginal eram dominados por lactobacilos, e o pH médio variou de 4,2 a 5,0 entre os grupos (Ravel et al., 2011). Ou seja: não existe um cheiro certo, existe o seu padrão.

Pequenas mudanças no odor na vagina ao longo do mês são esperadas. O sinal de alerta é um cheiro forte, persistente e diferente do habitual, principalmente com corrimento alterado, coceira ou ardência. Para entender como a acidez protege a região, veja nosso guia sobre pH vaginal.

O que pode causar mau cheiro nas partes íntimas

Quando há causa infecciosa identificada, três quadros respondem pela maior parte dos casos de vaginite: vaginose bacteriana (40% a 50%), candidíase (20% a 25%) e tricomoníase (15% a 20%), segundo revisão da American Family Physician (Paladine e Desai, 2018).

Vaginose bacteriana: o odor de peixe

É a causa mais associada ao mau cheiro nas partes íntimas feminina. Os lactobacilos diminuem, bactérias anaeróbias crescem e o pH sobe. O cheiro de peixe tem explicação química: um estudo encontrou trimetilamina em todas as 11 amostras de secreção com esse odor e em nenhuma das 10 amostras sem odor (Brand e Galask, 1986).

Não é falta de higiene e pede avaliação médica. Veja vaginose.

Tricomoníase

É uma infecção sexualmente transmissível causada por um protozoário. Pode provocar corrimento amarelado ou esverdeado, às vezes espumoso, com odor forte e irritação. A conduta é prescrita pelo médico e inclui a parceria sexual (Paladine e Desai, 2018).

Candidíase: em geral, sem odor forte

A candidíase costuma causar coceira intensa e corrimento branco e grumoso, mas em geral sem cheiro marcante. Quando coceira e odor forte aparecem juntos, vale investigar outra causa ou a associação de quadros. Veja candidíase.

Suor e glândulas apócrinas da virilha

A virilha tem glândulas apócrinas, as mesmas das axilas. O suor em si quase não tem cheiro: o odor surge quando bactérias da pele transformam seus componentes em ácidos, tióis e esteroides odoríferos (Kanlayavattanakul e Lourith, 2011). Calor, roupa justa e tecido sintético intensificam esse processo.

Menstruação, relação sexual e absorvente esquecido

O sangue menstrual e o sêmen têm pH mais alto que o da vagina e podem alterar o odor por alguns dias. Em geral, isso se normaliza sozinho. A exceção é o cheiro pútrido e intenso, que pode indicar absorvente interno esquecido e precisa de avaliação.

Menopausa e alteração de pH

Com a queda do estrogênio, o pH vaginal sobe e os lactobacilos diminuem, o que muda o odor mesmo sem infecção (Van Gerwen et al., 2023). Se há ressecamento junto, veja ressecamento vaginal.

Mau cheiro nas partes íntimas feminina: o que ajuda e o que atrapalha

O que evitar: ducha vaginal e excesso de lavagem

A ducha vaginal é a prática de higiene íntima mais estudada e está associada a disbiose, vaginose e doença inflamatória pélvica (Holdcroft et al., 2023). Em estudo em que as participantes pararam a ducha, o risco de vaginose caiu de forma significativa entre as que a usavam para se limpar depois da menstruação (Brotman et al., 2008).

Lavar várias vezes ao dia com sabonete comum, de pH alcalino, remove a proteção natural da pele e alimenta um ciclo: odor, mais lavagem, mais desequilíbrio. Desodorantes e perfumes íntimos só mascaram o cheiro e podem irritar.

Uma rotina simples de limpeza externa

  • Lave apenas a parte externa, vulva e virilha, uma a duas vezes ao dia
  • Use sabonete íntimo de pH fisiológico, compatível com a acidez natural da região; o sabonete íntimo líquido é outra opção de textura
  • Seque bem, sem esfregar, antes de vestir a roupa
  • Prefira calcinha de algodão e troque a roupa úmida depois do treino ou da piscina
  • Na menstruação, troque o absorvente com regularidade
  • Evite ducha vaginal, lenços perfumados e talco na região

Revisão sobre o tema apoia a limpeza externa diária e suave, com produto que não prejudique a microbiota vaginal (Chen et al., 2017). Para o passo a passo completo, veja higiene íntima.

Onde entra o cuidado cosmético

O cuidado cosmético atua na parte externa: limpeza suave, conforto e hidratação da pele. O sérum íntimo com óleo ozonizado complementa a rotina, e o óleo de abacate ozonizado nutre a pele da virilha ressecada pelo atrito e pela depilação. Nossas fórmulas são livres de parabenos, petrolatos e fragrâncias sintéticas.

Somos transparentes: nenhum cosmético elimina odor causado por infecção. Quando a causa é infecciosa, o remédio para mau cheiro nas partes íntimas é prescrição médica, feita depois do diagnóstico. A rotina de cuidado entra junto, nunca no lugar.

Quando procurar um ginecologista

Procure avaliação se houver:

  • Odor forte que mudou de padrão e dura mais de alguns dias
  • Corrimento amarelado, esverdeado, acinzentado ou espumoso
  • Coceira, ardência, dor na relação ou ao urinar
  • Febre ou dor na parte baixa da barriga
  • Suspeita de absorvente interno esquecido
  • Odor que volta depois de melhorar
  • Gestação com qualquer alteração de odor ou corrimento

Evite usar antibiótico ou antifúngico por conta própria. Sem diagnóstico, o sintoma pode ser mascarado e voltar.

Perguntas Frequentes

O que pode causar mau cheiro nas partes íntimas?

As causas se dividem em dois grupos. O primeiro reúne situações fisiológicas e passageiras: suor na virilha, menstruação, relação sexual sem preservativo, roupa justa ou sintética e mudanças hormonais, como as da menopausa. O segundo reúne quadros que pedem diagnóstico, e o principal deles é a vaginose bacteriana, um desequilíbrio da microbiota em que os lactobacilos diminuem e o pH sobe.

Segundo revisão publicada na American Family Physician, quando se identifica a causa de uma vaginite, a vaginose bacteriana responde por 40% a 50% dos casos, a candidíase por 20% a 25% e a tricomoníase por 15% a 20% (Paladine e Desai, 2018). A candidíase, porém, em geral não causa odor forte. Já a vaginose costuma causar cheiro de peixe, e a tricomoníase, corrimento espumoso com odor intenso.

Uma causa menos lembrada é o absorvente interno esquecido, que provoca cheiro pútrido e exige avaliação. Se o odor mudou de padrão, persiste ou vem com corrimento diferente, coceira ou ardência, o caminho é consultar um ginecologista. Para entender cada quadro, veja vaginose e candidíase.

Cheiro de peixe nas partes íntimas: o que significa?

O cheiro de peixe é o sinal mais característico da vaginose bacteriana. Ele tem explicação química: a trimetilamina, a mesma substância responsável pelo odor de peixe estragado. Em estudo clássico, a trimetilamina foi encontrada em todas as 11 amostras de secreção vaginal com esse odor e em nenhuma das 10 amostras sem odor (Brand e Galask, 1986).

Na vaginose, os lactobacilos diminuem e bactérias anaeróbias passam a predominar, com elevação do pH. O mesmo estudo mostrou que o odor se intensifica quando a secreção fica mais alcalina, e por isso o cheiro costuma piorar depois da relação sexual sem preservativo e perto da menstruação. O corrimento tende a ser fino, acinzentado ou esbranquiçado.

A vaginose não é falta de higiene e não se resolve com mais sabonete ou com ducha, que podem piorar o desequilíbrio. Ela precisa de diagnóstico e de conduta prescrita pelo médico. Veja mais em vaginose e no nosso artigo sobre vaginose vs candidíase.

Candidíase tem cheiro?

Em geral, não tem cheiro forte. A candidíase vulvovaginal costuma se manifestar com coceira intensa, ardência, vermelhidão e corrimento branco e grumoso, parecido com leite talhado, mas sem odor marcante. Essa é uma diferença útil em relação à vaginose bacteriana, em que o cheiro de peixe é o sintoma mais típico.

Por isso, quando há mau cheiro nas partes íntimas junto com coceira, vale considerar outras possibilidades: vaginose, tricomoníase ou a associação de mais de um quadro. Segundo revisão da American Family Physician, o diagnóstico de vaginite combina sintomas, exame físico e testes feitos no consultório ou em laboratório (Paladine e Desai, 2018). A percepção do cheiro, sozinha, não fecha diagnóstico.

Usar antifúngico por conta própria porque "deve ser candidíase" é um erro comum: se a causa for outra, o sintoma volta e o diagnóstico atrasa. Para entender os sintomas, veja candidíase. Se o incômodo principal é a coceira, veja coceira na parte íntima.

Por que o cheiro muda no fim da menstruação?

Durante a menstruação o ambiente vaginal muda. O sangue tem pH mais alto que o da vagina e, somado ao calor e à umidade retidos pelo absorvente, favorece bactérias que produzem odor. Por isso, um cheiro mais metálico ou mais forte nesses dias é comum e tende a desaparecer quando o ciclo termina.

Há dois sinais que pedem atenção. O primeiro é o cheiro de peixe que aparece ou piora depois da menstruação, que pode indicar vaginose bacteriana. Em estudo com mulheres que faziam ducha vaginal, aquelas que usavam a ducha para se limpar depois da menstruação tiveram redução significativa do risco de vaginose quando pararam a prática (Brotman et al., 2008).

O segundo sinal é um odor pútrido e intenso, às vezes com corrimento escuro: absorvente interno esquecido é uma causa conhecida e precisa de avaliação médica. No dia a dia, trocar o absorvente com regularidade, lavar apenas a parte externa com sabonete íntimo de pH fisiológico e evitar ducha ajudam a manter o equilíbrio.

A menopausa muda o cheiro íntimo?

Muda, e por um motivo fisiológico. Com a queda do estrogênio, a mucosa vaginal fica mais fina e oferece menos condições para os lactobacilos. Revisão sobre o tema descreve que o estado pós-menopausa, sem reposição hormonal, resulta em pH vaginal elevado e redução dos lactobacilos (Van Gerwen et al., 2023).

Com o pH mais alto, o odor pode ficar diferente do que você conhecia, mesmo sem infecção. A mesma revisão aponta que os critérios tradicionais de diagnóstico da vaginose foram desenvolvidos em mulheres antes da menopausa e são difíceis de aplicar depois dela. Por isso, os autores recomendam considerar primeiro a deficiência de estrogênio em mulheres com sintomas e pH elevado, antes de concluir que se trata de vaginose.

Nessa fase, ressecamento, ardência e odor alterado costumam aparecer juntos. O cuidado cosmético ajuda no conforto externo, com limpeza suave e hidratação, e a consulta com o ginecologista define se há indicação de conduta médica. Veja ressecamento vaginal.

Ducha vaginal ou lavar mais vezes ajuda a tirar o mau cheiro?

Não, e costuma piorar. A ducha vaginal remove parte dos lactobacilos e altera o pH, abrindo espaço para as bactérias que produzem odor. Revisão de 2023 sobre práticas de higiene íntima aponta a ducha como a prática mais estudada e associada a disbiose vaginal, vaginose bacteriana e doença inflamatória pélvica (Holdcroft et al., 2023).

Lavar a região várias vezes ao dia com sabonete comum segue a mesma lógica. O sabonete corporal costuma ter pH alcalino e resseca a pele da vulva, que é sensível. O resultado é um ciclo: o odor leva a mais lavagem, que leva a mais desequilíbrio, que mantém o odor.

O que funciona é o contrário: limpeza apenas externa, uma a duas vezes ao dia, com produto de pH compatível com a região, e secagem cuidadosa. Desodorantes e perfumes íntimos apenas mascaram o cheiro e podem irritar. Se o odor mudou de padrão, o caminho é a avaliação médica. Veja o passo a passo em higiene íntima.

Qual sabonete usar quando há mau cheiro nas partes íntimas?

O mais indicado é um sabonete íntimo de pH fisiológico, compatível com a acidez natural da região, usado apenas na parte externa. Revisão sobre higiene íntima feminina aponta que a limpeza diária e suave da vulva é parte importante da saúde íntima, desde que o produto não prejudique a microbiota vaginal (Chen et al., 2017).

Na hora de escolher, observe três pontos: pH fisiológico, fórmula sem fragrância sintética forte e textura suave, que limpe sem ressecar. Evite sabonetes antissépticos ou muito perfumados para uso diário, porque eles podem afetar a microbiota. O sabonete íntimo em espuma e o sabonete íntimo líquido da nossa linha seguem esse princípio, com fórmula livre de parabenos e petrolatos.

Vale ser direta: nenhum sabonete elimina odor causado por infecção. Ele mantém a limpeza e o conforto sem agredir a região, mas vaginose e tricomoníase precisam de diagnóstico e de conduta médica. Se o cheiro persistir mesmo com a rotina adequada, procure um ginecologista.

Referências

  1. Ravel J, Gajer P, Abdo Z et al. Vaginal microbiome of reproductive-age women. Proc Natl Acad Sci U S A. 2011;108(Suppl 1):4680-7. PMID: 20534435
  2. Brand JM, Galask RP. Trimethylamine: the substance mainly responsible for the fishy odor often associated with bacterial vaginosis. Obstet Gynecol. 1986;68(5):682-5. PMID: 3763085
  3. Paladine HL, Desai UA. Vaginitis: Diagnosis and Treatment. Am Fam Physician. 2018;97(5):321-329. PMID: 29671516
  4. Holdcroft AM, Ireland DJ, Payne MS. The Vaginal Microbiome in Health and Disease-What Role Do Common Intimate Hygiene Practices Play? Microorganisms. 2023;11(2):298. PMID: 36838262
  5. Brotman RM, Ghanem KG, Klebanoff MA et al. The effect of vaginal douching cessation on bacterial vaginosis: a pilot study. Am J Obstet Gynecol. 2008;198(6):628.e1-7. PMID: 18295180
  6. Van Gerwen OT, Smith SE, Muzny CA. Bacterial Vaginosis in Postmenopausal Women. Curr Infect Dis Rep. 2023;25(1):7-15. PMID: 37601955
  7. Chen Y, Bruning E, Rubino J et al. Role of female intimate hygiene in vulvovaginal health: Global hygiene practices and product usage. Womens Health (Lond). 2017;13(3):58-67. PMID: 28934912
  8. Kanlayavattanakul M, Lourith N. Body malodours and their topical treatment agents. Int J Cosmet Sci. 2011;33(4):298-311. PMID: 21401651 Conteúdo informativo, sem finalidade de diagnóstico ou tratamento. Consulte um profissional de saúde.